domingo, 4 de abril de 2010

Revira que não volta.

Se ela soubesse que não ia acontecer, com certeza não teria esperado tanto; e horas de ansiedade, desejo e agonia poderiam ter sido poupadas.
Junto com a tpm deste mês, chegaram falsas promessas de que, talvez, uma volta ao passado trouxesse uma boa lembrança para ganhar vida na atualidade. Decepção. Tem gente que não se importa com os outros, e da noite pro dia simplesmente se transforma. Ele não parecia mais com ele, ou pode ser que tenha realmente aparecido de verdade, mas tudo estava pior. Muito pior. Impossível explicar a sensação que ela sentia vendo a ampulheta acelerada fazer o tempo passar, e ao mesmo tempo em que o futuro se fazia cada vez mais presente, o passado também vinha na forma de lembranças. Desejou por um momento apagá-las da sua cabeça e só voltar a tê-las quando tudo aquilo tivesse realmente passado. Aquilo o que? Esse era o problema, explicação nenhuma lhe foi dada e apesar de não entender nada do que estava acontecendo, sabia que ali começava a se traçar o fim de algo que nem tinha começado na verdade, e não por culpa dela.
As pessoas não escolhem de quem gostam ou não, mas, sim, elas podem fazer de tudo para deixar de gostar delas. Agora, os ponteiros do relógio não mais empurrarão só o vácuo, serão responsáveis pelo ritmo de caminhada das suas pernas, pois, para ela, a corrida já começou e apesar de não saber que obstáculos encontrará pelo caminho, sabe que passará por todos eles e mais que isso, sabe que sairá vitoriosa.

sábado, 3 de abril de 2010

Os efeitos colaterais do playground.

O vento que batia em seu rosto aumentava de velocidade a cada ida e vinda. Apesar de estar sentada numa cadeira um tanto desconfortável, ela nem ligava e cada vez mais utilizava o chão para conseguir mais impulso e subir um pouco mais. Aos poucos, o atrito com o ar fazia com que ela caísse, e lá iam seus pés de novo pro chão empurrar o solo..
Certo dia, sentada na mesma gangorra de todas as tardes, sentiu que algo tinha mudado. Demorou para perceber que estava parada mais tempo no alto, que o vento que chegava até ela era mais forte, e que nem de maneira involuntária ela colocava mais os pés no chão. Uma força vinda do outro lado proporcionava tudo isso, fazendo com que ela começasse a sentir algo que há muito não sentia, e mesmo sabendo que podia fazer tudo aquilo sozinha, passou a perceber todas as vantagens de o fazer junto com alguém.
O equilíbrio que ela passava a ter deixava que seus pensamentos voassem, e apesar de parada, sua cabeça chegava cada vez mais perto das nuvens.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Alugam-se verdades.

Ela sabia que as promessas desenterradas do fundo do baú ainda brilhavam como se tivessem acabado de serem escritas, porém seu brilho só apareceria mesmo se a poeira que as cobria fosse retirada. E aí, quem o faria?
Ela tinha vontade. Seu orgulho era minúsculo e chegava ao ponto de faltar amor próprio as suas atitudes, por isso dessa vez resolveu imitá-lo.
Ele era de lua. Ora a deixava iluminada, ora se fazia indiferente, e na maioria das vezes ausente. Talvez ele não tivesse consciência do quanto ela o adorava, de verdade; e talvez por isso ficasse estranho repentinamente. Ela sofria.. e o tempo que não passava?
Depois que os ponteiros do relógio cansaram de ficar parados, voltaram a girar e foram então aos poucos fazendo com que as dúvidas que a atormentavam fossem andando junto com eles. Finalmente, ela cansou de brincar de ser ele e resolveu recuperar sua personalidade bem a tempo das palavras não pararem de brilhar. Pegou um pano e utilizou lágrimas como forma de umedecê-lo, foi fácil chorar. Mas à medida que limpava o baú, percebia que as promessas dele haviam tornado-se maiores, estavam unidas numa só, uma jura. Pegou-as com cuidado e involuntariamente começou a chorar mais ainda: você sempre vai ser única pra mim, meu bem.
Dessa vez ele havia acertado direitinho em que promessa fazer, e em como fazê-la. Ele não é constante, mas ela sempre vai adorá-lo ainda assim. Saiu correndo, desejando atravessar as ruas que os separavam e achar lá no final aquele abraço apertado que só ele tinha.
Conseguiu, acordou abraçada com seu travesseiro.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Parte II - Fireflies.

Uma luz. Milhares de luzes.
Mudaram de lugar sem ao menos esperar o vento passar..
Para onde foram?
Tentei segui-las mas foi em vão,
os insetos voaram sem direção,
e quando percebi, não os via mais por ali.
E aí o vento veio,
trouxe palavras e um sorriso encantador,
que no fundo não passava de enganador,
como qualquer faísca que venha do fundo,
não fica acesa nem por um segundo.
Pena foi acreditar, que aquilo ia mudar..
Mas o escuro não muda,
é melhor esperar a energia voltar,
e torcer para até lá a chama da vela não me queimar.

terça-feira, 9 de março de 2010

Medo do claro.

Apagaram as luzes. Ainda que estivesse tudo escuro e eu nada conseguisse enxergar, fechei os olhos. Peguei o primeiro objeto que encontrei ao meu alcance, uma almofada. Mesmo sabendo do que se tratava resolvi imaginar o que aquilo poderia ser. Pensei em um sapato, em um vidro de perfume, numa pessoa. Mas ao final de tudo só a figura de uma almofada me vinha à cabeça. Não sei se por falta de criatividade ou direcionamento da imagem, não conseguia mudar meus pensamentos. Uma almofada. Conheço cada aresta e vértice do meu quarto perfeitamente bem, e talvez por isso tivesse tanta certeza do que guardava em meus braços.. porém, certezas nem sempre são de fato certas. Ninguém tem medo do que é conhecido, e o seu contrário é sempre o vilão da história. Há curiosidade sobre o incerto, mas não adianta dizer que o medo não prevalece. É verdade que surpresas desagradáveis podem acontecer, mas, por outro lado, bem próximo a você pode estar um grande tesouro trazido e conservado pelo passar dos anos e devido a escuridão que é o desconhecido, não é percebido.
Acenderam as luzes, e que surpresa. O que tinha nas mãos não era um almofada e sim um pedaço de uma nuvem que peguei em um de meus sonhos quando fui até o céu. Como se não bastasse as aparências sempre me enganarem, apagaram as luzes, de novo. Mas dessa vez, acenderam meus pensamentos.

domingo, 7 de março de 2010

Assalto.

Se fui chata, desculpe-me. Não percebi que não parei de falar um segundo sequer. Durante o jantar, consegui contar minha vida toda e ainda algumas previsões futuras, um feito e tanto. Intimidada ou com medo do que pudesse (ou não) acontecer, preferi me certificar que você saberia em que terreno estava pisando. Sendo assim, posso considerar que foi de propósito que começou a me roubar. Os dias que se passaram só deixaram mais evidente tudo aquilo que eu já suspeitava e passava a aceitar; é que eu até posso não conseguir roubar muita coisa sua, mas dizem que os melhores sorrisos (e beijos) são aqueles que são roubados.
E a verdade é que eu tenho alguns já prontos só esperando que você os roube, a qualquer hora.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O eu dela.

De tanto que pulava, acabou cansando. Entrou de férias, depois em greve, resolveu voltar, ficou grávido, e por fim, dividiu-se. Mesmo sem ter mandado aviso prévio, resolvi aceitar a decisão de bom grado, pois o que me restou ainda batia forte, muito forte. Percebi, porém, que estava ritmado de acordo com outra melodia, que não era mais a minha, mas que de certa forma completava os acordes que me faltavam, fazendo com que eu me tornasse mais completa. Que coisa louca, pensei. Como eu poderia estar ligada a alguém que nem sei ao certo quem é? Pelo menos achava que não. Do meu ponto de vista, seria problema, mas no dele não. Quando foi perceptível a ligação que surgia entre eu e mais alguém, ele logo tratou de procurar uma forma de se fixar ao outro de maneira que me carregasse por aí afora. Bem, com ele eu não sei; mas comigo seu trabalho foi muito bem feito. Algumas palavras sinceras puxaram uma lágrima involuntária do meu olho, e aí, mesmo que eu quisesse continuar sem querer acreditar, e pensar que a parte que eu não carregava estava perdida por aí, a decisão estava tomada. A razão não tem vez quando a emoção escolhe alguém pra compartilhar o amor, e essa é mesmo a palavra. As fases fazem com que às vezes a lua saia ao meio, e hoje, assim se faz meu coração.