domingo, 3 de julho de 2011
ruas paralelas de um destino desconhecido
Não adianta negar que a vida é mesmo feita de provocações. Se um dia você recusa alguma coisa, em um outro ela trata de fazer você se arrepender e ir atrás da mesma, muitas vezes sem sucesso. Mais do que provocações, a vida é feita de incertezas e o tempo, absolutamente, é a maior delas. Admito ser imediatista, o que deixa claro que esperar é das coisas que mais me incomoda e nada vai mudar o fato de que nunca poderemos acelerar minutos ou pular horas, não posso segurar o tempo com as mãos e determinar o que fazer em seguida. Ele o faz conosco. Sim, tenho pressa. Pressa de chegar aonde ainda não sei, pressa de fazer o que ainda não descobri, pressa de carregar o que um dia perdi. E é muitas vezes nessa correria toda que me perco pelo caminho, entro em becos os quais não consigo achar a saída facilmente. Até agora, através de alguns atalhos, consegui voltar à estrada, mas sei que nem sempre vai ser assim. E o pior, é que eu que sempre fui tão rápida, ando aprendendo devagar demais..
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Xis
Surpresas são, sim, uma delícia. A percepção do que pode acontecer num piscar de olhos supera até a suposição na qual o cérebro havia trabalhado por horas antes, é diferente do planejado e surpreente de uma forma que os ensaios prévios acabam sendo todos em vão. A sensação inexplicável de medo, alegria e um conjunto efusivo de várias emoções juntas embarcam no pensamento que, muitas vezes, não pensa. O tempo corre como nunca, mas faz os pés voltarem ao chão e, proporcionalmente, as sensações diminuírem até se tornarem o que eram quando os axônios ainda conseguiam estabelecer sinapses perfeitas sem a intervenção de fatores externos quaisquer. Visto o resultado, a dúvida algumas vezes vem à tona e o cérebro volta a sua marca inicial cheio suposições descabidas de fundamentos reais e planos que não passam de precipitações errôneas de uma conclusão não tomada. Até que, um passo à frente, percebem que as surpresas continuam sendo uma delícia...
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Arquifelicidade
Uns dizem que pensar no passado é nostalgia. Os mesmos uns são os que se dizem não aguentar ouvir a palavra saudade, ou até mesmo lembranças. São peneiras ambulantes. Eu, do outro lado, sou museu, sim. Guardo tudo que preciso e posso (e às vezes até o que não devia também) de modo a fazer das vilosidades do meu cérebro grandes gavetas imutáveis, separadas somente pela intensidade dos acontecimentos, o que nem importa de fato. Talvez os anos sejam os responsáveis pela exclusão dessas marcas, talvez o encéfalo se canse delas e jogue-as pra fora, enfim. Mas que fique claro: o dia 21 de Janeiro, não. Saudade e nostalgia pra sempre e com orgulho.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
(A)cíclico.
Ansiedade é assim: um relógio pela espera do que virá que logo passa sem você perceber.
Angústia é assim: um aperto em algum lugar vindo de dentro sem razão aparente.
Admiração é assim: encontrar espelhos pelas ruas e fazer deles sua própria sombra.
Amor é assim: certo e errado encontrados num lugar que bate muito forte e não obedece a ninguém.
Acaso é assim: a vida pregando peças e fazendo com que o destino tenha outro nome:
Ansiedade.
Angústia é assim: um aperto em algum lugar vindo de dentro sem razão aparente.
Admiração é assim: encontrar espelhos pelas ruas e fazer deles sua própria sombra.
Amor é assim: certo e errado encontrados num lugar que bate muito forte e não obedece a ninguém.
Acaso é assim: a vida pregando peças e fazendo com que o destino tenha outro nome:
Ansiedade.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Anteposto ou posposto o sujeito é sempre o mesmo.
Quis acreditar que conforme mudassem as frases o sujeito mudaria com elas, mas o problema é que elas nunca mudam, apenas sofrem inversão. Enquanto via de dentro da oração, além de simples, ele parecia agente e núcleo de tudo. Seu complemento verbal era sempre direto e seus advérbios, principalmente, de intensidade. Pena que as horas passam, os verbos vão mudando de transitividade e, consequentemente, pedem novos objetos. O grande problema estava em acreditar que havia exceções à regra, mesmo quando a gramática é clara e diz que "faz algum tempo" é oração sem sujeito. E ponto final.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Gêmeas siamêsas separadas por 15 dias.
Uma é morena, a outra se acha loira. Uma é mais baixa, a outra tem as pernas grandes demais. Uma foi influenciada por maquiagens e esmaltes, a outra por all star. Uma quer os cílios da outra, a outra quer o sorriso da uma. Uma prefere salgados, a outra doces. Uma se liberta em poesias, a outra prefere prosas. Já que as similaridades entre elas não caberiam aqui, é melhor explorar o lado ímpar de cada uma, o que faz exatamente com que elas se completem. Assim, como uma Moska ou Monkeys não têm nada a ver e ao mesmo tempo têm tudo: a vontade de explicar e entender o mundo de uma forma particular, mas dividida em duas metades: uma e outra.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Sobre o futuro.
Tudo pode ser quando nada ainda foi. Castelos poderão ser construídos, templos poderão desmoronar e a gente assistirá ou participará? Depende do ponto de vista. Resolvi somente ser, e deixar com que tudo seja, por completo, pois percebi que tenho o problema de pecar por excessos, talvez por nunca saber qual é a medida exata das coisas. Faço o que acho certo, mas esse talvez mereça não ser seguido, às vezes. Paradoxalmente, sinto pela falta. De mais conversas, ações ou demonstrações. De qualquer coisa. Eu que sempre gostei da organização, hoje me perco nos meus próprios pensamentos desordenados. E, sendo assim, que a incerteza sempre presente como meu plano de fundo possa passar ao plano principal, mas esquecendo lá atrás suas duas primeiras letras.
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