segunda-feira, 26 de julho de 2010

Lista de presença

Incerteza, aqui.
Dúvida, aqui.
Esperança, aqui.
Vontade, aqui.
E eu, alegria, vou muito bem, obrigada.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Coleta seletiva.

Descobri que muitas vezes minhas verdades não são nem um pouco certas e as mentiras vêm à tona na mesma hora em que o presente e o futuro se encontram. Descobri também que alguns têm um dom (péssimo, diga-se de passagem) de serem pessoas diferentes de acordo com a situação na qual estejam enquadradas, ou ainda aqueles que simplesmente não conseguem se enquadrar em nenhuma delas. Os pressupostos que eu criei foram desfeitos. Os dias que planejei foram esquecidos. As memórias que guardava foram agora engavetadas, já as horas perdidas estão sendo prontamente recuperadas. O presente mudou, trazendo como consequência a mudança do futuro. E já que não se pode fazer o mesmo com o passado, resta-me fazer bom uso do esquecimento dele. Mas quer saber? Embora às vezes demore algum tempo, todo lixo deve se decompor.

sábado, 19 de junho de 2010

Futuro do pretérito perfeito.

Houve momentos em que o frio foi insignificante perto do calor de um abraço apertado. Houve espera que ora surpreendeu e ora decepcionou. Houve dias em que as constantes risadas eram o bastante para fazer esquecer qualquer problema. Houve conversas que declarações foram feitas e tudo que parecia importar se resumia ali, no falar de duas pessoas. Houve minutos que pareciam durar eternidades e frequentes horas que pareciam voar. Houve surpresa e saudade. Houve tempo em que muito era constante, mas até o nada importava. Houve um mundo particular e compartilhado. Houve até suposições banais, de quem queria tudo e na verdade tinha pouco. Houve, por fim, longe e perto, ambos resumidos numa distância nunca variável: houve dentro. Houve felicidade. Mas, haverá? Sabe lá.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

O amor dele pra ela.

"Eu sei que tudo pode ser, quando ainda não foi. Mas e se já foi? Os olhos enchem de lágrimas até quando o momento é de felicidade, com a simples e infinita distância que nos atrapalha agora. Tudo que eu queria era poder atravessar aquele corredor que nos separava e te dar um abraço bem apertado, do qual eu tanto sinto falta.. ou mesmo ter sua companhia durante o jantar sem que houvesse nenhuma mesa, pratos e talheres ou anos de distância para nos atrapalhar. Queria saber seu endereço para mandar as cartas que já formam pilhas na minha mesa de cabeceira. Mas não canso de escrever, pois acredito que em algum lugar você escuta minhas palavras e as escutará para sempre, posto que o infinito que nos separa é muito menor do que as cinco letras que sentimos, que eu sinto, minha querida. E você sabe bem quais são."


O que ele não sabe é que ela sonha todo dia com palavras como estas e só espera pelo momento em que elas verdadeiramente chegarão, mesmo que seja movidas pelo poder das aspas que as tornam eternas ou pelo vento frio carregado de saudade.

domingo, 6 de junho de 2010

Diz-me tudo.

Nem todo médico é doutor,
nem toda paixão vira amor,
nem todo porque tem resposta,
nem toda mega sena vira aposta.
Nem toda saudade tem cura,
nem todo mundo que acha procura,
nem todo perdão tem saída,
nem toda verdade merece ser dita.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

O outro lado da lupa.

Se a distância não fosse fatal, até que ela poderia achar tudo normal. A falta abriu espaço onde o vácuo já habitava e fez de tudo um imenso faz de conta que, na verdade, nada contou. A saudade transformou o que não era em algo que nem será, algo que as mãos dadas não formaram laços pois nem chegaram a ser entrelaçadas e que só o coração dela participava inteiramente.
Talvez ele tenha fugido, talvez esteja descansando.. ninguém é esperto o bastante para saber ou forte para suportar esses comportamentos inconstantes. Ela só queria a paz que ele não mais tinha, pois seus olhos haviam tornado-se pequenos demais diante do mundo que ela desejava enxergar.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Única estação

Subindo uma ladeira cujo nome não me recordo, avistei através do vidro do carro uma árvore. O que me chamou mais atenção foram suas flores, amarelas. Já lá de baixo elas pareciam bonitas, formavam junto com o céu azul uma pintura viva e quanto mais me aproximava delas, mais o sol de meio-dia parecia iluminá-las insistentemente. Ao chegar bem perto, percebi que suas pétalas caídas no chão formavam um cobertor de outono em pleno verão; enquanto que em cima da árvore, seu pólen servia de alimento para um beija-flor que alternava entre uma flor e outra e esse conjunto maravilhoso de elementos alertou-me para uma coisa que muitas vezes pode ser insignificante para a vida de alguns. É que enquanto as flores permanecem presas aos galhos altos e quase intocáveis, poucos são os fatores que as arrancam do lugar. Mas aí, vem uma ventania repentina, derruba-as e todo mundo que passa nem presta atenção em seus pedaços despedaçados e pisam sobre eles. O melhor é mesmo que elas permaneçam quase intocáveis, afinal, o máximo que pode acontecer, mesmo sem tanta frequência, é que um beija-flor venha e retire um pouco do seu pólen, deixando intactas, porém, sua essência e beleza.